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20/01/2024 | 08h25 - Atualizada em 20/01/2024 | 08h27

Soure, pérola do Marajó, comemora 164 anos

Reportagem: Dina Santos

Edição: Dina Santos


Soure, um dos 12 municípios do Marajó, é considerado também a capital informal da ilha. O município se destaca por ter a natureza preservada, praias e paisagens exuberantes, um povo detentor de uma cultura milenar, culinária rica e a dança do caboclo marajoara: o carimbó.

A "Pérola do Marajó" também se destaca pela sua arquitetura. O local foi projetado por Araão Reis, mesmo engenheiro e urbanista paraense responsável pelo projeto da capital mineira, Belo Horizonte, feito entre os anos de 1894 e 1897. Ainda que pequena e com poucos bairros, a divisão da cidade em ruas paralelas e travessas denominadas por numerais facilita muito qualquer trajeto e otimiza o espaço de um território rodeado por águas.

Soure também possui um outro apelido caracterizado pelo seu grande símbolo: a 'Capital do Búfalo'. Os animais podem ser encontrados pelas ruas da cidade e são utilizados como meio de transporte, além de serem responsáveis por uma boa parte da economia da região.

Turismo - Soure possui três grandes destaques: praias, búfalos e artesanatos. As praias mais icônicas e procuradas são a do Pesqueiro que possui uma extensão de dunas, coqueiros e áreas salgadas por influência do Oceano Atlântico, distante a poucos quilômetros do centro da cidade e com certeza é um cartão postal que todos reconhecem. Já a praia de Araruna revela um lado rústico, com mangues, e árvores próximo as margens que desperta o lado selvagem e aventureiro dos visitantes.

Soure abriga uma Reserva Extrativista (ou Resex) que, segundo classifica o Ministério do Meio Ambiente, é uma categoria de unidade de conservação de uso sustentável, que tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura das populações. Isso faz com que, por exemplo, a Praia do Pesqueiro se assemelhasse a uma praia deserta, mesmo com uma pequena comunidade vivendo às suas margens.

A água morna, a proximidade com os mangues e os restaurantes modestos de administração familiar fazem do lugar um quase-paraíso. As paisagens do município são tão preservadas e selvagens que a fazenda São Jerônimo, localizada em Soure, foi escolhida como cenário para o reality show "No Limite", produzido pela Rede Globo em 2001, onde pessoas testavam a capacidade de enfrentar desafios em meio à natureza.

Sobre as demais atrações turísticas materiais, as cerâmicas e os produtos de couro de búfalo dos curtumes são verdadeiras obras de arte, com a fidelidade das cerâmicas inspiradas em peças arqueológicas, que dão importância à pré-história do território marajoara.

O artesanato feito de couro bubalino também é muito importante na cultura do Marajó. Sandálias, bolsas e selas feitas nos curtumes locais são peças de alta qualidade.

Gastronomia - A culinária do Marajó é extremamente saborosa e aromática. Ela é, inegavelmente, uma das mais fortes vantagens do turismo em Soure.

O turu é uma curiosidade a parte. Legitimamente marajoara, delicioso e nutritivo, dizem ser até afrodisíaco. Dele se faz um prato que se assemelha a uma canja. O estranhamento surge quando o visitante vê pela primeira vez a origem daquela proteína saborosa e esbranquiçada. Esse molusco parece uma minhoca, bem comprida, branca e muito feia. Ele é encontrada nos manguezais entre os troncos de árvores.

História - Foi fundada em 20 de janeiro de 1847 por Francisco Xavier de Mendonça Furtado e, está localizada a 80 km da capital paraense Belém.

O município de Soure surgiu primitivamente de uma aldeia dos índios Muruanazes, onde se instalaram alguns missionários, nos tempos coloniais. Em meados do século XVIII, se constituía na freguesia de Menino Deus. Nessa época, em 1757, chegou para governar o estado do Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Objetivando criar município no interior da Amazônia, fez com que a localidade fosse elevada à categoria de Vila com a denominação de Soure, dando-lhe assim, autonomia municipal, com a qual entrou para a independência.

Em 1833 a vila foi extinta, sendo novamente criada em 1847. Entretanto, o seu território permaneceu anexado ao do município de Monsarás até 1859, quando ocorreu a instalação do município de Soure. Após a proclamação da República, em 1890, foi criado o Conselho de Intendência Municipal. Nesse mesmo ano, Soure obteve foros de Cidade.

O topônimo, de origem portuguesa, é o nome de uma antiga Vila concelhia do distrito de Coimbra, que no tempo dos romanos se chamou Saurium-Jacaré.