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Notícia do deputado Carlos Bordalo
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02/07/2026 | 10h57 - Atualizada em 02/07/2026 | 10h56Lei de autoria do deputado Bordalo reconhece saber dos abridores de letra e letras de barco como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará
Reportagem: Lilian Campelo
Edição: Carlos Bordalo

A proposta foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) e sancionada pela governadora Hana Ghassan no último dia 1º de julho. A nova legislação reconhece oficialmente a relevância histórica, artística e cultural de uma tradição que atravessa gerações e se tornou um dos símbolos da identidade amazônica.
Os abridores de letra são artistas populares autodidatas que desenvolveram uma técnica própria para pintar nomes, frases e ornamentos em embarcações, muros e fachadas. Com traços marcantes, cores vibrantes e acabamentos detalhados, transformaram uma necessidade prática em uma manifestação artística singular, presente no cotidiano das comunidades ribeirinhas.
As chamadas letras de barco representam muito mais que a identificação das embarcações. Elas expressam histórias, crenças, afetos e a relação das populações amazônicas com os rios. Os nomes pintados homenageiam familiares, santos, elementos da natureza e refletem a identidade coletiva das comunidades.
Para o deputado Bordalo, a sanção da lei representa uma importante conquista para a cultura popular paraense e para os mestres que preservam esse conhecimento.
"O saber dos abridores de letra é muito mais do que uma técnica. É uma manifestação da alma ribeirinha, que dialoga com o cotidiano, os sonhos e as crenças do nosso povo. Esse reconhecimento fortalece a preservação dessa tradição e valoriza artistas que, por muito tempo, permaneceram invisibilizados pelas políticas culturais", afirma o parlamentar.
Patrimônio que nasce nos rios
A tradição dos abridores de letra surgiu a partir da necessidade de identificar embarcações que circulavam pelos rios amazônicos, atendendo às exigências da Capitania dos Portos. Com o passar do tempo, essa identificação ganhou formas próprias, transformando-se em uma linguagem visual marcada por criatividade, cores intensas e elementos ornamentais que hoje são reconhecidos como uma das expressões culturais mais autênticas da Amazônia.
Transmitido de geração em geração, esse saber popular tornou-se uma referência da identidade ribeirinha e não encontra equivalente em outras regiões do país.
Valorização e preservação
O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial fortalece a preservação dessa manifestação cultural, estimulando ações de documentação, pesquisa, difusão e transmissão do conhecimento às futuras gerações.
A iniciativa também reforça o trabalho realizado por projetos como Letras que Flutuam, que há mais de duas décadas mapeia os abridores de letra em municípios das regiões de Belém, Marajó, Salgado e Baixo Amazonas. A pesquisa coordenada pela professora e pesquisadora Fernanda Martins contribuiu para dar visibilidade nacional a essa tradição, que também foi registrada no documentário Marajó das Letras.
Nos últimos anos, a estética das letras de barco ganhou destaque nacional ao inspirar coleções de moda e projetos gráficos, reacendendo o debate sobre valorização e apropriação dos saberes tradicionais amazônicos.
Com a publicação da Lei nº 11.627, o Estado do Pará reafirma seu compromisso com a preservação da diversidade cultural e reconhece oficialmente os abridores de letra como guardiões de um patrimônio que faz parte da memória, da identidade e da história das comunidades ribeirinhas.
