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Notícia FRTPA
DJ Tarrika relembra a era de ouro das pistas de dança em Belém
Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação
Edição: Angelina Anjos FRTPA - Comunicação
Os estúdios da Rádio Alepa FM 101.5 recebeu nesta terça-feira, 22 o icônico DJ Tarrika, verdadeira lenda viva dos dance floors.
Décadas antes do streaming, das plataformas digitais e do acesso instantâneo aos lançamentos internacionais, Belém já dançava ao som de músicas que faziam sucesso em grandes centros do mundo. Parte dessa história passa pela trajetória do DJ Tarrika.
Em entrevista à Rádio Alepa FM 101,5, Tarrika percorreu mais de cinco décadas de memória musical e contou como a curiosidade de um jovem apaixonado por discos acabou se transformando em uma carreira ligada às pistas de dança, ao rádio, à televisão e à indústria fonográfica paraense.
Pioneiro da discotecagem no Pará, relembrou o início das pistas de dança, a chegada da disco music, a experiência na televisão e os bastidores de uma época em que descobrir uma música nova exigia pesquisa, contatos e discos trazidos do exterior.
Nome indissociável dos grandes espetáculos de gala, Tarrika é a alma sonora do Rainha das Rainhas, o concurso carnavalesco mais glamoroso e deslumbrante da Amazônia. Com uma assinatura artística visionária e elegante, ele ultrapassou épocas e se consolidou como um supremo titã cultural.
Tarrika lembrou que sua relação com a música começou ainda na adolescência, quando encontrou no rock dos anos 1960 uma identidade diferente daquela presente no repertório ouvido pelos pais. Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Bob Dylan, Janis Joplin e Jimi Hendrix estão entre as referências que marcaram essa primeira fase.
Mas ele evoluiu. Segundo ele, a mudança decisiva viria no início dos anos 1970, quando passou a conhecer artistas negros norte-americanos e a sonoridade de gravadoras como Motown e Philadelphia. Stevie Wonder, Jackson 5, Diana Ross e outros nomes que despertaram seu interesse por uma música essencialmente dançante.
No começo dos anos 1970, quando a palavra DJ ainda estava longe de ter a dimensão atual, Tarrika participava de festas realizadas em garagens. Sem dinheiro para comprar os caros discos importados, ele e os amigos recorriam ao acervo de uma rádio: retiravam os discos na sexta-feira, selecionavam as músicas para as festas do fim de semana e devolviam tudo na segunda-feira.
E foi assim que sua jornada começou e ele viveu o ápice da era da discotheque e da dance music, quando Belém efervescia ao som do jet set internacional fundido à vibrante identidade paraense. Com maestria ímpar, Tarrika transformou as pistas em verdadeiros salões de alquimia musical, entrelaçando com rara sofisticação o charme amazônico às mais vanguardistas tendências globais.
Tarrika atravessou a era do LP, das fitas cassete e dos discos importados; acompanhou a consolidação do rádio FM; participou dos primeiros formatos de programas de videoclipes na televisão paraense; viveu a explosão da disco music e trabalhou diretamente com grandes gravadoras.
Em entrevista na Rádio Alepa FM, Tarrika revelou que essa linhagem de brilho é de berço: filho de maestro, o artista cresceu envolto pela mais alta aristocracia musical da região, dividindo o convívio familiar com mestres do calibre de Waldemar Henrique. Esse ambiente efervescente e refinado lapidou um talento predestinado ao pioneirismo.
Há mais de 26 anos, o DJ assina a direção de sonoplastia do Rainha das Rainhas, onde imortalizou a icônica faixa “Papaya”, de Lafayette. O que antes era uma sutil vinheta transformou-se, pelas mãos de Tarrika, no hino supremo e atemporal da alta sociedade paraense — uma obra-prima continuamente reinventada por remixagens contemporâneas que preservam seu luxo e apoteose contagiantes.
Um programa de videoclipes antes da MTV
Outro capítulo importante da trajetória aconteceu na televisão.Em 1976, Tarrika participou da criação de um programa musical na TV Liberal. Em uma época em que conseguir imagens de artistas internacionais era uma operação complexa, o material chegava por meio das gravadoras e o programa era montado durante a madrugada, quando a emissora saía do ar.
Exibida aos sábados, das 18h às 19h, a atração apresentava videoclipes ao público paraense. A experiência ocorreu 14 anos antes da estreia da MTV no Brasil, em 1990.“Nós fizemos um programa de clipe na TV Liberal, Rede Globo, 14 anos antes da MTV entrar no ar no Brasil.’’
A experiência demonstrava como a produção musical paraense já buscava acompanhar as transformações internacionais mesmo diante das limitações tecnológicas da época.
O Guardião da Era de Ouro
Consagrado como o verdadeiro curador da high society belenense, Tarrika ditou o tom das noites mais exclusivas como responsável pela programação social do prestigiado clube Assembleia Paraense. Sua aura de guardião da memória cultural brilhou também no videocast “Mangueirosamente”, resgatando a essência reluzente dos anos de ouro da cidade. Sua trajetória é um brinde perpétuo ao encontro entre o clássico e o moderno.
Tarrika integrou o grupo que deu origem a fundação da Rádio Cidade e da Jovem Pan Belém, sendo fígura importante nesse processo de criação de duas emissoras que fizeram história. No mercado fonográfico, atuou como representante de grandes gravadoras globais e nacionais (Ariola, WEA, PolyGram, Universal Music, Roadrunner/Sum Records e Building Records).
Atualmente, além de brilhar nos eventos mais seletos, Tarrika estende seu charme e conhecimento à comunicação pública: ele integra a Rádio Alepa FM 101.5 na coordenação da programação musical, imprimindo sua assinatura inconfundível, refinada e inimitável no poder legislativo do Pará.
Mais do que recordar festas e sucessos de outras décadas, a entrevista com Tarrika recupera uma parte da memória da comunicação e da cultura musical paraense: uma época em que descobrir uma música exigia pesquisa.
As informações contidas nesta seção são de responsabilidade da FRTPA.
