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Alepa reconhece obra de Zélia Amador de Deus como patrimônio cultural do Pará
Reportagem: Carlos Boução- AID - Comunicação Social
Edição: Andreza Batalha- AID - Comunicação Social
A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (15), o projeto de lei que declara a obra literária de Zélia Amador de Deus Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado. A proposta reconhece a contribuição da professora, escritora, artista e militante paraense para a cultura, a educação e o enfrentamento ao racismo.
A homenagem ocorre uma semana após o falecimento de Zélia, aos 76 anos, em Belém. Apresentado originalmente em outubro de 2024, o projeto ganhou maior significado diante da perda de uma das principais referências brasileiras na defesa da igualdade racial.
Fundamentado no artigo 286 da Constituição do Pará, o texto destaca artigos, livros, capítulos e trabalhos acadêmicos produzidos pela intelectual. Entre eles, destacam-se A travessia: a saga do Movimento Negro brasileiro contemporâneo, As personas (máscaras) do racismo, O corpo como marca identitária na diáspora africana e Os desafios da Academia frente à Lei nº 10.639/2003.
A relação inclui ainda o livro Entre os rios e as florestas da Amazônia: perspectivas, memórias e narrativas de negros em movimento, organizado em parceria com Marilu Márcia Campelo e Raimundo Jorge Nascimento de Jesus.
Graduada em Língua Portuguesa, com mestrado em Estudos Literários e doutorado em Ciências Sociais, Zélia ingressou como professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1978. Entre 1993 e 1997, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar a Vice-Reitoria da instituição. Anos mais tarde, foi também a primeira docente negra a receber o título de professora emérita da universidade.
Sua trajetória esteve intimamente ligada à defesa dos direitos humanos. Zélia participou da formação da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos e, em 1980, ajudou a fundar o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa). Em 2003, criou o Grupo de Estudos Afro-Amazônico (Geam) da UFPA, que contribuiu para iniciativas como a política de cotas, a Casa Brasil-África e a estrutura institucional de diversidade e inclusão social.
Nas artes, participou da criação do Auto do Círio, manifestação que reúne teatro, música, religiosidade e cultura popular nas ruas de Belém. Sua produção abordou temas como racismo institucional, diáspora africana, feminismo negro, identidade e educação para as relações étnico-raciais.
Além do reconhecimento à obra de Zélia Amador de Deus, a pauta da sessão aprovou também a declaração do Carnaval das Águas e do Círio de Parauapebas como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado.
