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Notícia FRTPA

21/08/2026 | 11h00 - Atualizada em 25/08/2026 | 12h43

Em entrevista na Rádio Alepa FM, especialista detalha cenário da esclerose múltipla no Pará

Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação

Edição: Angelina Anjos- FRTPA - Comunicação

A professora doutora Jeice Cardoso, coordenadora do projeto Acolherem, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e Briseida Suzuki, diretora da Associação de Apoio aos Portadores da Esclerose Múltipla (AAPEM) no Pará, compartilharam experiências sobre diagnóstico, tratamento, reabilitação e os impactos da doença.Para marcar o mês de conscientização sobre a esclerose múltipla, o agosto laranja, a Rádio Alepa FM 101.5 reuniu especialistas e representantes de pacientes. Em pauta, os caminhos para desmistificar essa condição neurológica e a importância de garantir acesso à informação, tratamento especializado e uma rede de apoio efetiva.

A professora doutora Jeice Cardoso, coordenadora do projeto AcolherEM da Universidade Federal do Pará (UFPA), e Briseida Suzuki, diretora da Associação de Apoio aos Portadores da Esclerose Múltipla (AAPEM) no Pará, compartilharam experiências sobre diagnóstico, tratamento, reabilitação e os impactos da doença na vida dos pacientes e de suas famílias e destacaram sintomas que não são comuns, mas podem sinalizar o início da doença.

A esclerose múltipla afeta o sistema nervoso central e pode provocar manifestações variadas. Entre os sinais relatados pelas entrevistadas estão alterações transitórias na visão, formigamentos, dormência, dificuldades de movimento, alterações de sensibilidade, problemas cognitivos e mudanças no controle da bexiga e do intestino.

A diversidade dos sintomas é justamente um dos fatores que podem dificultar o reconhecimento da doença. “Às vezes são sintomas que se assemelham a outras condições”, explicou Jeice. Segundo ela, uma pessoa pode interpretar uma alteração visual como simples cansaço ou não perceber que uma dificuldade para realizar uma atividade cotidiana está relacionada a uma alteração neurológica.

A especialista chamou atenção ainda para a imprevisibilidade da doença. Os sintomas podem envolver aspectos motores, sensoriais, cognitivos e visuais, com diferentes manifestações de acordo com cada paciente.

Diagnóstico de esclerose pode durar até um ano até ser reconhecido

Outro desafio apontado durante a entrevista é o tempo necessário para chegar ao diagnóstico. Embora existam casos em que a identificação ocorre rapidamente, há pacientes que passam meses ou até cerca de um ano investigando os sintomas.

A professora Jeice explicou que o diagnóstico envolve uma avaliação clínica e exames complementares e ocorre após a exclusão de outras doenças que podem apresentar manifestações semelhantes. Entre os exames mencionados na entrevista estão a ressonância magnética e a análise do líquor, sempre dentro da avaliação médica.

A imagem avalia a anatomia e possíveis lesões estruturais, enquanto o líquor detecta infecções, inflamações ou alterações bioquímicas diretas. “Sentir que algo está diferente, principalmente nessas funções que são relacionadas ao nosso sistema nervoso, procure o médico especialista”, orientou.

A recomendação, porém, é não transformar qualquer sintoma isolado em motivo para concluir que existe esclerose múltipla. A própria especialista reforçou que nem toda alteração neurológica significa uma doença grave e que a investigação deve ser feita por profissionais de saúde.

Para Briseida Suzuki, falar sobre esclerose múltipla também significa falar sobre uma experiência familiar. Sua filha recebeu o diagnóstico ainda adolescente, aos 16 anos


Uma mãe transformada pelo diagnóstico da filha

Para Briseida Suzuki, falar sobre esclerose múltipla também significa falar sobre uma experiência familiar. Sua filha recebeu o diagnóstico ainda adolescente, aos 16 anos.

O primeiro episódio envolveu formigamento e um desmaio durante uma atividade física. A família procurou atendimento médico e, após encaminhamento para neurologia, iniciou a investigação.O diagnóstico foi confirmado em aproximadamente 30 dias.

O momento, segundo Briseida, provocou um forte impacto emocional na família. Depois do período inicial de choque, entretanto, ela decidiu transformar a angústia em busca por informação.“Eu digo, passou o tempo do choro, bora agir. Bora lutar”, relatou.

A experiência também revelou à família a importância de buscar informações confiáveis. Segundo Briseida, antes de conhecer a associação, ela teve contato com relatos de pacientes com quadros graves e chegou a imaginar que o futuro da filha seria necessariamente marcado por sequelas severas.

A realidade, porém, pode ser muito diferente entre os pacientes. Hoje, aos 28 anos, a filha de Briseida segue em acompanhamento e, segundo o relato da mãe, apresenta estabilidade clínica. A experiência reforçou para a família a importância do tratamento e doacompanhamento contínuo.

Associação é ponte de apoio a pacientes no Pará

Briseida estima que aproximadamente 200 pessoas estejam cadastradas ou sejam acompanhadas pela AAPEM no Pará. O número, entretanto, pode não representar a totalidade de pessoas que vivem com a doença no Estado.

Entre as dificuldades estão a existência de pacientes ainda sem diagnóstico fechado e os obstáculos enfrentados por quem vive no interior.

Durante a entrevista, também foi destacada a ocorrência de diagnósticos em crianças. Embora a esclerose múltipla seja mais frequentemente associada a adultos jovens, as entrevistadas ressaltaram que existem casos pediátricos e que esse campo ainda demanda mais estudos e conhecimento científico.

Um dos pontos mais importantes levantados pela professora Jeice foi a necessidade de compreender sintomas que nem sempre são visíveis como a fadiga, que parece comum, mas pode ser um sinal de alerta.

             Professora Jeice alerta para sintomas incomuns da doença como a fadiga

Um dos pontos mais importantes levantados pela professora Jeice foi a necessidade de compreender sintomas que nem sempre são visíveis.

A fadiga extrema aparece, segundo ela, como uma manifestação frequente e intensa em pessoas com esclerose múltipla. O problema é que, por não apresentar necessariamente sinais externos, pode ser interpretado equivocadamente como falta de disposição ou preguiça.

A pesquisadora contou que uma experiência durante seu trabalho acadêmico mudou sua percepção sobre a doença. Ao entrevistar uma paciente, ouviu que, devido à fadiga, ela nem sempre conseguia tomar banho da maneira convencional e precisava realizar a atividade sentada.

O relato levou Jeice a refletir sobre como tarefas aparentemente simples podem representar grandes desafios para quem convive com limitações neurológicas.

A partir dessa experiência, o trabalho da pesquisadora passou a incorporar não apenas os aspectos clínicos da doença, mas também as atividades cotidianas, os projetos de vida, o trabalho, o lazer e a participação social.

Em um cenário no qual a doença ainda é pouco conhecida por parte da população, a mensagem deixada pelas entrevistadas é direta: informação também é uma forma de cuidado — e acolhimento pode fazer parte do tratamento.



Serviço:

As pessoas interessadas em conhecer o projeto podem entrar em contato por seus canais de comunicação ou procurar diretamente a Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFPA.Os atendimentos ocorrem às terças e quintas-feiras à tarde, conforme disponibilidade da equipe.

O contato divulgado durante o programa foi o perfil @acolherem_ufpa, além do e-mail acolherem.teoecuidado@gmail.com.

Associação de Apoio aos Portadores de Esclerose Múltipla do Pará (AAPEM) fica localizada na Rua Alameda, 21, Conjunto Maguari (Bairro Coqueiro), Belém - PA, com CEP 66830-086.

O telefone de contato é o (91) 98290-8174


A equipe da Rádio com as entrevistadas


Veja a entrevista na íntegra nos canais oficiais da Alepa. Acesse agora o link abaixo:

As informações contidas nesta seção são de responsabilidade da FRTPA.