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Historiadores destacam memória, democracia e produção amazônica em sessão na Alepa
Reportagem: Carlos Boução- AID - Comunicação Social
Edição: Andreza Batalha- AID - Comunicação Social
A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) realizou, no dia 20 de agosto de 2026, uma sessão especial alusiva ao Dia do Historiador. Promovida pela Comissão de Direitos Humanos, a solenidade ocorreu no Auditório João Batista e reuniu professores, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições dedicadas ao ensino, à pesquisa e à preservação da memória.
A programação destacou a contribuição dos profissionais da História para a compreensão da sociedade, o fortalecimento da democracia e o reconhecimento da diversidade social e cultural do Pará e da Amazônia.
Na primeira palestra, o professor e doutor David Durval, presidente da Associação Nacional de História — Seção Pará (Anpuh-Pará), abordou a importância do ofício do historiador. Ele recordou que a instituição da data comemorativa e a regulamentação da profissão resultaram da mobilização nacional da categoria. 
David destacou que o trabalho historiográfico exige investigação, análise crítica, confronto entre fontes e rigor científico. Também alertou para tentativas de censura e manipulação da produção histórica, citando propostas de retirada de referências à ditadura, à tortura, aos direitos indígenas e à Revolução Haitiana em publicações acadêmicas.
O professor defendeu melhores condições de trabalho, investimentos na educação e maior atenção do poder público aos arquivos, museus e centros de documentação. “Uma História profissional fortalece a democracia”, afirmou.
No segundo painel, o professor e doutor Elias Diniz Sacramento, vice-presidente da Anpuh-Pará, apresentou a trajetória da associação no estado, desde a criação de um núcleo, em 1989, até sua consolidação como seção estadual.
Elias explicou que a organização paraense surgiu no contexto do 15º Simpósio Nacional de História, realizado em Belém, em 1989. O encontro teve como tema “História, terra e poder” e homenageou o seringueiro e líder ambientalista Chico Mendes.
Ao recuperar esse período, o professor lembrou lideranças políticas e sindicais assassinadas no Pará durante a década de 1980, entre elas o deputado estadual João Batista — que dá nome ao auditório da Alepa —, o ex-deputado Paulo Fonteles e o sindicalista Virgílio Serrão Sacramento, seu pai.
Segundo Elias, a Anpuh-Pará ganhou nova estrutura a partir de 1998, com a realização do primeiro encontro estadual e a formação de uma diretoria. Desde então, a entidade ampliou suas atividades, publicou coletâneas e constituiu grupos de trabalho em áreas como História Ambiental, relações de gênero, ensino de História, escravidão e pós-abolição. 
Na terceira palestra, o professor Felipe Matos, integrante da diretoria da Anpuh-Pará e docente do Instituto Federal do Pará (IFPA), convidou professores, pesquisadores e estudantes para o 15º Encontro de História do Pará, programado para os dias 18 a 21 de novembro.
O campus Belém do IFPA receberá grande parte das atividades. De acordo com Felipe, o evento permitirá aprofundar os debates sobre o ofício do historiador e ampliar o intercâmbio entre profissionais e estudantes da capital e do interior. O docente também ressaltou a relevância das tecnologias e dos recursos digitais para o ensino e a pesquisa histórica. 
A professora Adriane dos Prazeres encerrou o painel com uma reflexão sobre a formação de historiadores no interior da Amazônia e a importância do conhecimento produzido na região.
Adriane afirmou que os historiadores amazônidas formulam perguntas próprias a partir das experiências, dos sujeitos sociais e dos territórios locais. “A ciência feita por nós, historiadores e historiadoras da Amazônia, interessa ao mundo”, ressaltou.
A professora relacionou a produção histórica à defesa da floresta, dos conhecimentos ancestrais e do protagonismo das populações amazônicas. Além disso, destacou a interiorização dos cursos e das pesquisas no Pará e incentivou os estudantes a apresentarem seus trabalhos no encontro estadual.
Homenagens Especiais
A sessão contou ainda com homenagens especiais a profissionais reconhecidos por suas contribuições ao ensino, à pesquisa, à formação de estudantes e à preservação da História do Pará e da Amazônia.
Entre os homenageados estiveram Maria de Nazaré dos Santos Sarges, Leila Mourão Miranda, Edilza Joana Oliveira Fontes, Fernando Arthur de Freitas Neves, José Maia Bezerra Neto, Venezia Nazaré Ramos Rodrigues, Conceição Maria Rocha de Almeida, Eliana Ramos Ferreira, Raimunda Conceição Sodré, Maria Roseane Corrêa Pinto Lima, Janailson Macedo Luiz, Vânia Alexandrino Viana e Rodrigo José Guedes Norneles, além de outros profissionais da educação básica e superior.
De São Paulo, o professor José Alves de Souza Junior também foi homenageado e acompanhou a sessão de forma on-line.

Também foram prestadas homenagens póstumas aos professores Jorge Paulo dos Santos e Carla Leandro Hascke, reconhecidos por suas trajetórias acadêmicas, pelo engajamento político e social e pela atuação em defesa da diversidade, dos direitos humanos e da formação de novas gerações.
A solenidade reafirmou o papel dos historiadores na preservação das memórias, no combate às distorções do passado e na construção de uma sociedade democrática, plural e consciente de sua trajetória.
