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Notícia FRTPA
Educação financeira e saúde emocional são temas da entrevista com Marcelo Matos na Rádio Alepa FM
Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação
Edição: Angelina Anjos Cavalero FRTPA - Comunicação
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A Rádio Alepa FM recebeu nesta sexta-feira (26) o contador, auditor e perito Marcelo Matos, que deixou várias reflexões sobre o comportamento econômico das pessoas, alertando para o crescimento do superendividamento e as crescentes armadilhas para ativar o consumo por impulso, o que vem adoecendo a sociedade e afetando o orçamento familiar.
A sabina na entrevista sobre as consequências de um desequilíbrio financeiro, cada vez mais alimentados pela oferta de produtos e serviços imediatos e de fácil acesso, foi respondida por Marcelo como um grande problema a ser cuidado, não apenas com a educação financeira, mas com tratamento da saúde emocional.
Vale ressaltar que o número de famílias endividadas no Brasil atingiu, em 2026, o maior patamar desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida em abril deste ano, evidenciando o avanço do comprometimento da renda das famílias.
Ex-presidente do Sescom Pará e ex-vice-presidente da Fenacon, Marcelo Matos trouxe também dados do IBGE para nortear o debate: atualmente, cerca de 85% das famílias brasileiras convivem com algum tipo de dívida. Segundo ele, o cenário se agravou com a facilidade do consumo na palma da mão. "Hoje em dia, você tem um celular na mão e é fácil fazer uma compra. É algo viciante", pontuou o contador, destacando que aplicativos de entrega e e-commerce internacional muitas vezes transformam o esforço do trabalho em desperdício diário, dinâmica que ele conceitua em seus artigos como "o luxo do lixo".
O servidor público e sua estabilidade financeira ganharam espaço na análise de Marcelo Matos, que desenhou um panorama sobre os trabalhadores dessa modalidade, citando dados de associações de defesa do consumidor, que indicam que aproximadamente 70% dos servidores ativos enfrentam o endividamento, tendo o crédito consignado como o principal ralo do orçamento.
Segundo Marcelo, servidores efetivos são clientes preferenciais de instituições financeiras. "O banco abre os braços porque sabe que o dinheiro vai cair ali, é certo. ‘’O problema é o emprego deste dinheiro", alertou. Ele explicou que, sem planejamento, o crédito de longo prazo vira uma "bola de neve", usado muitas vezes para cobrir juros de cartões ou socorrer familiares em estruturas de despesas comunitárias.
Fugindo das planilhas de contabilidade, Marcelo humanizou o debate ao relatar casos reais acompanhados em seu escritório, em que desequilíbrios financeiros resultaram em divórcios e quadros graves de ansiedade. Ele apontou o crescimento do mercado de apostas online (as bets) como um novo potencializador de crises financeiras e defendeu que o impulso de compra já deve ser encarado como uma patologia.
Ao final da transmissão multiplataforma, Marcelo Matos reforçou que a educação financeira precisa avançar com urgência nas grades escolares, mas lembrou que o principal espelho ainda é o exemplo doméstico.
A dica de ouro para quem busca sair do vermelho é praticar o exercício do autocontrole e, antes de cada clique em um sugerido aplicativo de compras questionar a importância de adquirir aquele bem ou serviço, além, é claro, de buscar uma alternativa de renda extra e estruturar, passo a passo, uma reserva de emergência para os momentos de crise.
No resumo geral, comprar se tornou um ato viciante e automatizado, o que reconfigurou a vida financeira do brasileiro.
Se no passado comprar exigia planejamento e deslocamento, hoje basta um toque no celular para adquirir roupas em marketplaces internacionais ou pedir uma refeição por aplicativo. "O iFood acaba, às vezes, com a economia", pontua Marcelo Matos. "Porque você não está mais fazendo aquilo prazeroso de cozinhar em casa. Tudo é prático e é caro. E, às vezes, você põe a sobra na geladeira e vai para o lixo. Então vai para o lixo o quê? Dinheiro, esforço financeiro’’, acentuou.
Essa dinâmica — batizada pelo especialista em seus artigos de "O luxo do lixo" — expõe como o cansaço do dia a dia e a busca por dopamina rápida mascaram um gasto supérfluo prejudicial. A psicologia e a economia andam de mãos dadas; as compras por impulso tornaram-se um mecanismo de escape para a ansiedade e o esgotamento.
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