A Rádio Alepa FM 101.5 recebeu nesta quarta-feira (24) o advogado, gestor público e líder social, Sidney Furtado Gouvêa. Em pauta, os desafios, as estratégias e o impacto real da mobilização e da organização comunitária no Estado do Pará, com destaque para as ações desenvolvidas pelo Instituto Tradição do Pará (ITP).
Com uma trajetória consolidada no serviço público e no terceiro setor, tendo atuado como gestor na Fundação ParáPaz, Gouvêa compartilhou sua visão sobre como a articulação entre sociedade civil, poder público e iniciativa privada é capaz de transformar a realidade de periferias e populações em situação de vulnerabilidade social.
Durante a entrevista, o papel do Instituto Tradição do Pará foi apontado como um modelo prático de transformação. Sediada em Belém, a organização atua diretamente na base comunitária por meio de eixos fundamentais: educação, cultura, esporte e qualificação profissional. "A transformação social não acontece por acaso, ela começa essencialmente pela oportunidade", afirmou Sidney Gouvêa. "Quando oferecemos ferramentas adequadas, seja um cursinho preparatório ou uma vaga de capacitação, estamos dando ao cidadão a chance de emancipar a sua própria história e resgatar a sua dignidade", completou.
Entre os principais projetos desenvolvidos pelo ITP e debatidos na bancada, destacam-se:
Educação e Futuro - A oferta de cursinhos populares preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e projetos de alfabetização voltados a jovens e adultos que buscam o ingresso no ensino superior. "Ver um jovem da nossa periferia entrar na universidade pública através de um cursinho popular é a prova de que a periferia só precisa de uma porta aberta para mostrar seu potencial", destacou o entrevistado.
Cultura e Identidade - O fomento a manifestações genuinamente paraenses, incluindo o apoio a grupos juninos e eventos artísticos que fortalecem a identidade cultural da Amazônia e promovem a integração social. "A cultura paraense acolhe, abraça e afasta a nossa juventude da criminalidade. Fortalecer a identidade da Amazônia é também fazer segurança e inclusão social", defendeu Gouvêa.
Esporte e Lazer - Aulas de artes marciais, dança e atividades esportivas como ferramentas de inclusão e proteção social para crianças e adolescentes.
Rede de Solidariedade e Gestão Pública- Outro ponto crucial abordado foi a necessidade de articulação para que os benefícios cheguem com eficiência a quem precisa.
Sidney Gouvêa, que atualmente atua como Articulador Político do ITP, enfatizou a importância de se construir redes sólidas com lideranças de bairros e voluntários para mapear e atender com precisão as demandas mais urgentes, que incluem desde a oferta de cursos de informática e idiomas até campanhas de saúde comunitária e distribuição de cestas básicas. "Ninguém faz transformação social sozinho. É preciso unir o poder público, a iniciativa privada e, principalmente, as lideranças que conhecem a realidade de cada rua", explicou.
Gouvêa ressaltou que o papel do articulador é justamente construir essas pontes para que o alimento, a qualificação e o direito cheguem de verdade na mesa de quem mais precisa.
O Cenário Nacional: O Terceiro Setor como Motor de Inclusão
O modelo de atuação do ITP reflete uma tendência consolidada em todo o Brasil, onde organizações não governamentais utilizam o esporte e a educação no contraturno escolar para preencher lacunas de vulnerabilidade e combater a desigualdade socioeconômica.
Dados do Ministério do Esporte apontam que milhões de jovens encontram no terceiro setor o acesso a atividades regulares que o Estado nem sempre consegue suprir de forma isolada.
No mesmo nicho do instituto paraense, grandes referências nacionais acumulam dados expressivos de impacto social:
Instituto Esporte & Educação (IEE): Criado pela medalhista olímpica Ana Moser, a instituição já atendeu a mais de 8 milhões de crianças e jovens, além de capacitar cerca de 68 mil professores em quase 30% dos municípios brasileiros, unindo a prática esportiva à cidadania ativa.
Fundação Eprocad: Com quase 40 anos de atuação na região Sudeste, atende anualmente milhares de educandos utilizando o esporte e a cultura como ferramentas pedagógicas para o fortalecimento de vínculos familiares e autonomia juvenil.
Instituto Reação: Criado pelo medalhista Flávio Canto, utiliza o judô e a educação para promover a integração social e o desenvolvimento humano, beneficiando milhares de jovens em diversos polos distribuídos por comunidades vulneráveis do país.
A entrevista foi encerrada com o tradicional quadro "Ping-Pong", em que Sidney Gouvêa respondeu de forma espontânea e objetiva a perguntas rápidas sobre seus valores e convicções. Ao falar sobre sua maior missão de vida, destacou o compromisso com as pessoas e a crença de que o serviço público é uma ferramenta capaz de promover transformações concretas na sociedade. O entrevistado também reafirmou seu amor por Belém do Pará e encerrou a conversa com uma mensagem de esperança aos paraenses, apontando a educação e o esporte como pilares fundamentais para a construção de um futuro mais promissor para as próximas gerações.
Veja a íntegra da entrevista no link abaixo:
As informações contidas nesta seção são de responsabilidade da FRTPA.