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Notícia FRTPA

17/06/2026 | 15h40 - Atualizada em 19/06/2026 | 15h14

Belém avança na gestão de resíduos com inclusão social, reciclagem e economia circular

Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação

Edição: Angelina Anjos Cavalero- FRTPA - Comunicação

O programa Alepa Entrevista trouxe Pâmela Massud  que apresentou um panorama das ações desenvolvidas pela Prefeitura de Belém para fortalecer a coleta seletiva, ampliar a inclusão produtiva de catadores e estimular práticas de economia circular.

Em entrevista à Rádio Alepa FM 101.5, a secretária executiva de Inclusão Produtiva de Belém, Pâmela Massoud, detalhou os avanços, desafios e projetos que vêm transformando a gestão de resíduos na capital paraense.

Pâmela informou que Belém produz diariamente toneladas de resíduos que desafiam a infraestrutura urbana e colocam à prova a sustentabilidade da cidade.

No programa Alepa Entrevista, Pâmela Massoud apresentou um panorama das ações desenvolvidas pela Prefeitura de Belém para fortalecer a coleta seletiva, ampliar a inclusão produtiva de catadores e estimular práticas de economia circular.

Durante a conversa, a gestora destacou os investimentos realizados nos últimos anos, os impactos positivos da COP30 para o setor e os projetos que buscam reduzir o descarte irregular de resíduos nos bairros da capital paraense, ressaltando a importância da parceria com a comunidade.
Pâmela Massud, detalhou os avanços, desafios e projetos que vêm transformando a gestão de resíduos na capital paraense.
Segundo Pâmela, o desafio da Prefeitura de Belém é garantir a destinação correta do lixo. Para superar os modelos tradicionais, a gestão vem adotando uma estratégia que une inclusão social, educação ambiental e economia circular. “Por isso, mapeamos os pontos críticos da cidade para identificar a melhor forma de atuar”, acentuou.

De acordo com a secretária executiva de Inclusão Produtiva, o primeiro passo da atual gestão foi compreender a realidade da cidade e dos trabalhadores que vivem da coleta de resíduos.
“Quando assumimos, fizemos um grande diagnóstico das cooperativas e dos catadores. Precisávamos entender quem tinha estrutura, quem precisava de apoio e quais eram as principais dificuldades enfrentadas por essas pessoas”, explicou.

O Brasil recicla cerca de 4% das 80 milhões de toneladas de lixo produzidas anualmente. Em Belém, a situação é ainda mais crítica que a média nacional: a cidade recicla apenas 0,45% de todo o lixo que produz. Diariamente, a capital gera cerca de 1.000 toneladas de resíduos, mas apenas uma fração minúscula é reaproveitada, fazendo com que a grande maioria vá para o aterro sanitário.

Segundo a secretária, o principal gargalo para ampliar esse percentual está na desestruturação da coleta porta a porta realizada pelas cooperativas e na falta de separação dos resíduos pela população.

Para enfrentar esse problema, a Prefeitura iniciou a instalação de coletores em feiras, mercados, portos, escolas e espaços públicos. A meta é ampliar a rede de pontos de entrega voluntária e facilitar o acesso da população à reciclagem.

Outro investimento importante foi a criação de quatro unidades de valorização de resíduos, equipadas com galpões, prensas, balanças, esteiras e caminhões para fortalecer o trabalho das cooperativas.Cooperativa Vitória.elém conta com 16 cooperativas e cerca de 254 catadores organizados

Atualmente, Belém conta com 16 cooperativas e cerca de 254 catadores organizados. Além da estrutura física, a gestão também levantou dados sociais, identificando demandas relacionadas à saúde, educação e capacitação profissional. “O serviço público não lida apenas com números; lida com pessoas”, pontuou Pâmela, destacando que a secretaria atua diretamente na relação humana e estrutural com as cooperativas, com foco na educação ambiental e não apenas no recolhimento de resíduos.

A Prefeitura também criou estruturas de contenção conhecidas como ecobarreiras, que desempenham papel fundamental na preservação ambiental da Região Metropolitana de Belém. Elas retêm o lixo flutuante nos canais, como o Canal do Tamandaré, direcionando esses materiais para as cooperativas em vez de permitir que poluam os cursos d’água da cidade ou sobrecarreguem o aterro sanitário.

O projeto foi financiado pela iniciativa privada, alinhada à proposta de contribuir para a preservação ambiental. Desde a instalação das ecobarreiras, em agosto do ano passado, já foram retiradas aproximadamente 25 toneladas de resíduos que teriam como destino os cursos d’água ou o aterro sanitário.

Em parceria com startups e integrado ao projeto Viva Canal, o município transforma atualmente o plástico e outros resíduos retirados dos canais em “brita ecológica”.
A composição chama atenção: cerca de 70% do material utilizado provém dos resíduos retirados dos canais e 30% de concreto.

Esse material é utilizado na fabricação de floreiras, lixeiras e bancos de praças, que retornam revitalizados para as comunidades.“O que antes era lixo passa a ter uma nova função. É a economia circular acontecendo na prática”, destacou  Pamela Massoud

Inclusão de catadores no processo sustentabilidade de Belém

Pâmela lembrou que outro eixo prioritário da política municipal é a inclusão produtiva dos catadores.

Além das cooperativas formalizadas, a Prefeitura desenvolve ações voltadas para trabalhadores autônomos que sobrevivem da coleta de materiais recicláveis.

Muitos deles vivem em situação de vulnerabilidade social e dependem da venda diária de latinhas, garrafas plásticas e outros resíduos para garantir renda.

Por meio do programa Conexão Cidadã, cerca de 100 catadores estão sendo acompanhados pela gestão municipal.

Para Pamela Massoud reconhecer o papel desses profissionais é fundamental para fortalecer toda a cadeia da reciclagem.“São trabalhadores que prestam um serviço ambiental importante para a cidade e precisam ser valorizados”, ressaltou.
Ecopontos  recebem materiais plásticos, óleo de cozinha, entre outros resíduos.

Ecopontos já desviaram toneladas do aterro
A ampliação dos ecopontos também foi apontada como uma das estratégias mais promissoras para reduzir o descarte irregular.

O primeiro equipamento implantado pela Prefeitura já permitiu o desvio de cerca de 45 toneladas de resíduos que seriam encaminhadas ao aterro sanitário.

A proposta é expandir a rede para diferentes regiões da cidade e garantir que a população tenha alternativas adequadas para descartar materiais recicláveis, eletrônicos, móveis e outros resíduos de difícil destinação.

Outro destaque é o Hub de Reciclagem, projeto que permite a troca de materiais recicláveis por crédito financeiro via PIX.

Segundo a secretária, mais de 140 toneladas de resíduos já foram destinadas corretamente por meio da iniciativa.

Ao falar sobre o futuro sustentável da capital paraense, a gestora defendeu o fortalecimento da economia circular como estratégia central para a gestão de resíduos.

Entre os projetos em desenvolvimento estão iniciativas voltadas ao reaproveitamento do caroço de açaí, um dos resíduos mais abundantes da região.

A proposta é transformar o material em biomassa, biochar, briquetes e até utensílios domésticos produzidos a partir de suas fibras.“A gente precisa enxergar o resíduo como recurso. Quanto mais conseguirmos reaproveitar, menos impacto teremos sobre o meio ambiente e mais oportunidades vamos gerar para a população”, afirmou.


Descarte Consciente: O Caso das Canetas Emagrecedoras

Instigada por um questionamento direto da produção do programa,  Pamela Massoud fez um alerta importante sobre o descarte de resíduos domiciliares de saúde, como as populares canetas emagrecedoras, além de pilhas e lâmpadas.

"As canetas utilizadas em casa são resíduos contaminantes. Elas não devem ser jogadas no lixo comum e nem misturadas ao material doado para as cooperativas, pois geram riscos aos catadores", alertou. A orientação oficial é que o cidadão procure uma unidade básica de saúde (posto de saúde) para realizar o descarte correto. No caso de medicamentos vencidos e eletrônicos, farmácias e institutos como o Emaú realizam a logística reversa.

Serviço ao Cidadão: Onde Descartar?
Para colaborar com uma Belém mais limpa e sustentável, a população pode utilizar os canais oficiais:

Ecoponto Casota: Recebimento de resíduos segregados e entulho. Funciona de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 12h.

Hub de Reciclagem (Pix por Lixo): Localizado na Praça Princesa Isabel (Condor). Baixe o aplicativo Green Mining, leve seu resíduo seco e receba o valor direto na conta.

Disk Entulho / Dúvidas sobre Horários da Coleta: Entre em contato com a SEZEL pelo número de atendimento ou acompanhe as atualizações e rotas nas redes sociais da Agência Belém.

Assista a entrevista na íntegra no canal oficial da TV Alepa Pará no YouTube:
                                           

         ALEPA ENTREVISTA - Pâmela Massoud


As informações contidas nesta seção são de responsabilidade da FRTPA.