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Notícia FRTPA
Médico das vidas, poeta das palavras: Márcio Maués lança novo livro e leva a Amazônia para o mundo
Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação
Edição: Angelina Anjos Cavalero- FRTPA - Comunicação

A Rádio Alepa FM 101.5 abriu as portas para ouvir o médico e escritor paraense Márcio Maués, que transformou a própria trajetória de vida em poesia e está agora lançando seu livro Anatomia das Estrelas, que traz na capa uma fotografia do Rio Guamá, registrada por Matheus Maués. A imagem representa a forte ligação do autor com a Amazônia. A obra une dois universos que caminham juntos em sua vida há décadas: a medicina e a literatura.
Natural de Abaetetuba, com 33 anos de atuação na medicina, Márcio é conhecido pelo trabalho humanitário e pela dedicação à saúde. Mas é nas palavras que ele encontra outra forma de cuidar das pessoas. Durante a entrevista, explicou que seus livros sempre nascem do encontro entre essas duas paixões. “Eu mergulho diariamente na medicina e também mergulho nas palavras. Os títulos dos meus livros dialogam com essas duas vivências”, afirmou o escritor.
O novo livro é o quinto publicado pela Caravana Grupo Editorial e sucede obras como Costuras do Infinito sobre o Peito, A Pele que nos Habita, Coreografia das Urgências e Longitude das Ternuras. Apesar do termo técnico presente no título, Márcio faz questão de destacar que a poesia não busca definições. “A poesia é aquilo que toca algum sentimento que nos habita. Se sentiu, é poesia”, resumiu.
Embora seus poemas dialoguem com temas universais, Márcio faz questão de reafirmar suas raízes amazônidas.“Eu sou um escritor amazônida. A literatura é universal, mas escrevo a partir do lugar onde nasci. Nós lançamos oxigênio para o mundo inteiro e espero que minha poesia também seja um oxigênio para as pessoas”, disse.
Filho de uma família simples e numerosa, Márcio é o 12º entre 14 irmãos. A educação sempre foi vista como o principal caminho para transformar vidas. Foi assim que deixou Abaetetuba para estudar em Belém e construir uma trajetória marcada por viagens, experiências profissionais e descobertas.
Como médico, trabalhou em diversas regiões do Pará, incluindo o Marajó, experiência que descreve como uma das mais marcantes de sua vida. Também morou em São Paulo e conheceu grande parte da Região Norte por meio da profissão.
Hoje, a literatura o leva ainda mais longe. O livro foi lançado em edição bilíngue, em português e espanhol, e integra uma agenda internacional que inclui eventos em Buenos Aires e participação na tradicional Festa Literária Internacional de Paraty, em Paraty, onde estará pelo terceiro ano consecutivo.
Para Márcio Maués, medicina e literatura não são caminhos opostos. Pelo contrário: ambos exigem sensibilidade, escuta e humanidade. Ele deixou uma mensagem educadora que é a necessidade de exercitar todos os sentidos para poder exercer de fato a medicina.
Ao falar sobre a prática médica, destacou que nenhum profissional consegue cuidar verdadeiramente das pessoas sem olhar nos olhos, ouvir com atenção e compreender o outro. “Você pode dominar as melhores técnicas, mas se não exercitar todos os sentidos para abordar o paciente, sua intervenção será menos poética”, refletiu.
Essa visão humanista está presente em toda a sua obra. Não por acaso, palavras ligadas ao corpo, ao tempo e aos afetos aparecem constantemente em seus títulos e poemas.
Marcio arrematou palmas durante a entrevista ao falar da sua relação com amor e as palavras, emocionando os ouvintes. E isso testemunha o por que ele venceu vários editais da Secretaria de Cultura do Pará (Secult) e da Fundação Cultural do Pará (FCP). Vale ressaltar que também foi agraciado com o ultimo edital para a publicação do seu novo livro de poesias, "Anatomia das Estrelas.
A relação com a literatura começou cedo. Ainda jovem, escrevia poemas em cadernos sem imaginar que se tornariam livros. Foi uma irmã quem percebeu o talento e o incentivou a participar de um edital literário da Fundação Cultural do Pará.
O resultado foi o prêmio para o livro Pedra de Toque, marco inicial de sua carreira literária.
Mais tarde, teve a oportunidade de conviver com grandes nomes da literatura paraense, entre eles o poeta Max Martins e a escritora Maria Lúcia Medeiros.
Dos encontros com Max Martins, guarda até hoje um dos conselhos mais valiosos: “Leia muito e escreva. Escreva e reescreva até acreditar que o poema realmente chegou ao ponto que você deseja.”
A escolha pela medicina também surgiu de forma curiosa. Antes de se tornar médico, Márcio chegou a cursar Administração, Direito e Sociologia. Mas uma orientação vocacional apontou que seu caminho estava na área da saúde.
Décadas depois, ele acredita que a escolha fez todo sentido. “A medicina é uma arte. É a arte de manejar vidas e cuidar das pessoas. Ela exige sensibilidade e empatia”, afirmou.
Entre consultas, viagens, gestão e projetos literários, Márcio Maués confessou que continua cultivando o hábito que o acompanha desde a juventude: carregar sempre um livro na mochila e citou alguns preferidos, como Carlos Drummond de Andrade.
E é dessa combinação entre ciência e sensibilidade que nasce uma obra capaz de atravessar rios, fronteiras e idiomas, levando a voz de um escritor amazônida para leitores de diferentes partes do mundo.
Veja a íntegra da entrevista no link abaixo:
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