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Notícia FRTPA
Rádio Alepa FM 101.5 traz o debate sobre a ancestralidade e a neurociência da perfumaria com a especialista Gláucia Augusta
Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação
Edição: Angelina Anjos Cavalero- FRTPA - Comunicação
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O estúdio da Rádio Alepa FM 101.5 foi invadido esta semana por algo que a rádio, em sua natureza sonora, raramente consegue transmitir: a promessa de um aroma que cura. A entrevistada, Gláucia Augusta, não é apenas uma perfumista; ela é artista visual, especialista em neurociências e uma guardiã de saberes que remontam aos primórdios da humanidade.
"Ocupar as ondas da 101.5 FM com educação olfativa e neurociência é, em última análise, um ato de cidadania cultural", resumiu a coordenadora geral da Fundação Rádio e TV Alepa, Angelina Anjos, também produtora das entrevistas especiais.
Glaucia explicou que a perfumaria comercial (sintética) foca no bem-estar imediato e na estética; a perfumaria artesanal e ancestral opera em outra frequência. “O artesanal define-se pelo fazer. É o tempo do artesão, seja com elementos sintéticos ou naturais.
A perfumaria ancestral é a conexão direta com a botânica e as "moléculas vivas". Gláucia explicou que é o resgate de uma sabedoria que as mulheres desenvolveram ao longo de milênios, desde o início das sociedades, quando o feminino se encarregava do plantio e da colheita.
Ela falou sobre a neurociência por trás do cheiro. Um dos momentos mais fascinantes da entrevista ocorreu quando Gláucia explicou por que um perfume pode mudar nosso humor instantaneamente; e, exibindo as amostras que trouxe, disse que, diferente de outros sentidos, o olfato é visceral. "O olfato pula o tálamo, a estrutura cerebral que codifica a informação para interpretarmos. Ele vai direto ao centro de memória. A gente não tem tempo de pensar sobre o que sentiu; o sentimento simplesmente vem", explicou a especialista.
A fragrância lavanda foi citada como exemplo prático: seu uso não é apenas "cheiroso", ele interage com o sistema nervoso, auxiliando na recaptação de serotonina. "É a ciência validando o que os antigos já praticavam", disse.
Morando em uma região de biodiversidade inigualável, Gláucia destacou que a ancestralidade paraense é uma biblioteca viva. Ela citou a copaíba, usada há gerações pelas avós da região para "mexer a garganta" e tratar inflamações, e que hoje é validada pela ciência como um dos anti-inflamatórios mais potentes do planeta.
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Para ela, criar perfumes na Amazônia é uma forma de manter essa memória viva e conectada com a força das resinas e óleos locais, como a andiroba.
A jornada de Gláucia com as fragrâncias tem raízes profundas na perda. Após o falecimento de sua mãe — que era uma ávida colecionadora de perfumes franceses —, Gláucia enfrentou uma depressão severa que durou quatro anos e cuja cura veio por meio da perfumaria.
Ao mergulhar na perfumaria, ela não apenas encontrou uma nova profissão, mas uma ferramenta de poder pessoal. Seus perfumes atuais, como o "Sacerdotisa", levam notas de rosas, mirra e cereja, desenhados para ativar a energia vital e a capacidade criadora. Mas confessou que seu preferido é o Jasmin.
A especialista falou sobre curiosidades da profissão. Falou sobre a relação de perfumes de frutas. ‘’Sabia que é impossível extrair óleo essencial diretamente de uma cereja? '', interrogou. Gláucia utiliza uma técnica de desidratação controlada que leva, no mínimo, dois meses para capturar a molécula da fruta.
Gênero nos perfumes: para Gláucia, a divisão entre "masculino" e "feminino" é uma invenção da era industrial para domesticar o olfato. "O homem pode usar floral e a mulher, amadeirado." "Precisamos desconstruir essas caixinhas."
Como artista visual, ela trabalha a sinestesia. Sua cor de inspiração é o azul, que remete ao firmamento e à firmeza.
Como ela mesma resumiu ao final da conversa, a perfumaria ancestral não mudou apenas seu trabalho, mas seu olhar sobre o sentido da própria vida. Em um mundo que tenta silenciar nossos sentidos mais instintivos, Gláucia Augusta nos convida a parar e, simplesmente, respirar.
Ela falou de alguns perfumes e suas identidades, como os com notas de rosa — o Afrodite e perfumes bifásicos "Alguns perfumes trabalham no equilíbrio do estrogênio, como o óleo de gerânio.
Na aromaterapia, o óleo essencial de gerânio é conhecido como o "óleo do equilíbrio feminino". Estudos indicam que a inalação desse óleo pode ajudar a modular hormônios como o estrogênio salivar, auxiliando no alívio dos sintomas da menopausa e da tensão pré-menstrual (TPM).
Ao trazer uma abordagem terapêutica e humana para o estúdio, a Rádio Alepa FM democratiza o acesso a terapias integrativas. O Parlamento deixa de ser um lugar de "leis frias" para se tornar um espaço de soluções para o bem-estar cotidiano, mostrando que a qualidade de vida também passa pelo resgate dos nossos sentidos e da nossa história.
Para a coordenadora geral da Fundação Rádio e TV Alepa, Angelina Anjos Cavalero, o parlamento que abre as portas para a perfumaria ancestral está, na verdade, fazendo isso para a soberania do conhecimento. ‘’É o reconhecimento de que a força do Pará não está apenas em seus recursos minerais ou agrícolas, mas na inteligência contida em cada molécula da sua flora e na memória de seu povo’’, observou.
Serviço:
Para quem busca essa conexão terapêutica e artística, o trabalho de Gláucia pode ser acompanhado no Instagram: @vesperperfumariaancestral.
A entrevista completa você acompanha nos canais oficiais da Alepa
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