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Notícia FRTPA

08/04/2026 | 12h48 - Atualizada em 08/04/2026 | 13h28

Em entrevista na Rádio Alepa FM, o deputado Carlos Bordalo lança cartilha e fala sobre racismo e política relembrando dados históricos sobre o tema

Reportagem: Shirley Castilho- FRTPA - Comunicação

Edição: Angelina Anjos Cavalero- FRTPA - Comunicação

Em pouco mais de 30 minutos, o deputado Carlos Bordalo transformou dados, história e política em um diagnóstico incômodo — e urgente — sobre o racismo no Brasil de hoje.
Letramento Racial, racismo, política e dados atuais sobre o tema foi a pauta da entrevista na Rádio Alepa FM 101.5 no último dia 07 de abril, quando o deputado Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), ultrapassou o formato convencional e em pouco mais de 30 minutos transformou dados, história e política em um diagnóstico incômodo — e urgente — sobre o racismo no Brasil de hoje.

Logo na abertura, o apresentador Gabriel Oliveira trouxe números que expõem a gravidade do tema: os casos de racismo cresceram 127% no último ano no país. O Atlas da Violência confirma que a população negra segue como principal vítima de desigualdades e mortes evitáveis. O deputado não apenas endossou o alerta, como ampliou a análise. “O Brasil foi construído sobre desigualdades. Essa raiz nunca foi arrancada’’, lembrou.

Com seu histórico de atuação na pauta, o deputado Carlos Bordalo revisitou momentos marcantes, começando pelo Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março – data que remete ao massacre de Sharpeville, na África do Sul, quando 69 pessoas foram mortas pelo regime do apartheid em 1960, enfatizando que o racismo brasileiro não começa no apartheid, mas na origem como nação.

Ele explicou que a colonização europeia interrompeu civilizações indígenas já avançadas, introduziu a lógica escravocrata e firmou um modelo de sociedade baseado na desigualdade.

O deputado deu uma aula de história ao destacar que cerca de 5 milhões de africanos foram traficados para o Brasil, descrevendo esse processo como “o rompimento de um ciclo civilizatório” que ainda molda a vida dos brasileiros. Ele também falou sobre as raízes da igualdade que culmina no letramento racial como política pública.

Durante a entrevista Bordalo apresentou as cartilhas do Projeto Raízes, elaboradas em parceria com a Universidade Federal do Pará, que são materiais que explicam — de forma simples e direta — conceitos como letramento racial, educação antirracista e racismo climático.

Durante a entrevista Bordalo apresentou as cartilhas do Projeto Raízes, elaboradas em parceria com a Universidade Federal do Pará, que são materiais que explicam — de forma simples e direta — conceitos como letramento racial, educação antirracista e racismo climático. ‘’Esse material não é apenas um projeto educativo e vou lembrar aqui a frase celebre de Paulo Freire que fala que a educação não muda o mundo sozinho. Mas muda as pessoas que vão mudar o mundo’’, concluiu.
As cartilhas digitais estarão disponíveis no site da Alepa, liberadas para reprodução, e compõem uma formação que tem atraído servidores, parlamentares e agora até o público externo.

Entrevista alerta sobre o discurso de ódio na internet


Um dos momentos mais contundentes da entrevista veio quando Bordalo foi questionado sobre o aumento de conteúdos racistas e homofóbicos impulsionados por algoritmos. Ele não hesitou: “as grandes democracias já regulamentaram as redes. Aqui, a extrema direita vende a ideia distorcida de ‘liberdade’ para proteger discursos violentos.”

O deputado anunciou que protocolou recentemente um projeto estadual para combater a misoginia nas redes sociais e afirmou que pretende estender a iniciativa a conteúdos racistas.

O Estado do Pará e a legislação da igualdade racial

Em 2021, em plena pandemia, os deputados aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial no Estado do Pará, apresentado pelo deputado Carlos Bordalo (PT)
Em 2021, em plena pandemia, os deputados aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial no Estado do Pará, apresentado pelo deputado Carlos Bordalo (PT), que foi formulado em parceria com o Centro de Defesa e Estudos do Negro do Pará (CEDENPA).  Em 12 de novembro o Projeto foi homologado e ganhou força ao se tornar a Lei nº 9341.
 
O Estatuto alavancou as políticas afirmativas, como cotas na Universidade Estadual. “Até deputados precisam de letramento racial. O vício de linguagem também é violência.”

Para o deputado, a sanção da Lei representou um marco na promoção de direitos e oportunidades para a população negra do Pará. É o primeiro Estatuto Estadual da região Norte do país.

Em 2025, o estado do Pará intensificou as políticas com a nova Política Estadual para Comunidades Quilombolas e a Lei nº 11.286/2025, que reserva 30% das vagas em concursos públicos para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas.

Ao comentar o impacto do curso aplicado na Alepa, Bordalo relatou que parlamentares, assessores e servidores têm se surpreendido com o conteúdo: “Às vezes a pessoa repete expressões racistas sem perceber. Mas a violência simbólica é tão destrutiva quanto a física.”

Ao falar do letramento racial climático, abordado na segunda cartilha, Bordalo fez uma conexão esquecida pelas políticas tradicionais: “As populações negras e tradicionais são sempre as primeiras atingidas pela crise climática — e ao mesmo tempo são as guardiãs do nosso patrimônio genético.”

O deputado falou  dos quilombos do Capim, Baixo Tocantins, Baixo Amazonas e Marajó, reforçando a urgência de políticas que dialoguem com a realidade dessas comunidades.

Ele citou quilombos do Capim, Baixo Tocantins, Baixo Amazonas e Marajó, reforçando a urgência de políticas que dialoguem com a realidade dessas comunidades.

O Pará é o quarto estado brasileiro com maior população quilombola, totalizando 135.033 pessoas, segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A presença do deputado Carlos Bordalo na Rádio Alepa FM não foi apenas institucional, foi pedagógica, destacou a Coordenadora Geral da Fundação Rádio e TV da Alepa, Angelina Anjos Cavalero, reforçando o compromisso da instituição com pautas de interesse da comunidade. 

A entrevista terminou, mas deixou um alerta para refletir sobre a visita ao passado, as atitudes de agora e ter conhecimento do que foi feito, do que está sendo feito e o que pode ser pensado para essa pauta de grande importância que é o racismo no Brasil’.



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