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24/03/2026 | 09h55 - Atualizada em 24/03/2026 | 10h31

Alepa lança cartilhas de Letramento Racial e Climático para enfrentar desigualdades estruturais

Reportagem: Carlos Boução- AID - Comunicação Social

Edição: Andreza Batalha- AID - Comunicação Social

Os dois auditórios do espaço multiuso da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) ficaram lotados na manhã desta segunda-feira (23), durante o lançamento das cartilhas Letramento Racial como forma de enfrentamento ao racismo e Letramento Racial Climático. As publicações articulam universidades, poder público e sociedade civil no combate ao racismo estrutural e às disparidades socioambientais.

Proposto pelo deputado estadual Carlos Bordalo (PT), o evento reuniu, a partir das 10h, representantes da UFPA e da UEPA, da Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) e de diversas instituições parceiras.

Crise climática e desigualdade racial no centro do debate
A professora Sandra Guimarães, coordenadora do Projeto Letramento Racial da UFPA, abriu a exposição conectando os eixos centrais da obra. “O letramento racial climático revela as conexões entre racismo, desigualdades socioambientais e mudanças climáticas”, explicou. Ela enfatizou que a crise ambiental não é neutra: “Comunidades negras, indígenas, quilombolas e ribeirinhas são as mais afetadas”. 

Dados apresentados durante o evento reforçam esse cenário: populações negras e indígenas enfrentam até três vezes mais riscos climáticos extremos, e 80% das pessoas deslocadas por desastres ambientais vivem no Sul Global. Além disso, bairros periféricos registram temperaturas até 2°C mais altas devido à escassa arborização, enquanto cerca de 60% das comunidades quilombolas carecem de saneamento básico adequado. “Não basta não ser racista. É preciso ser antirracista e isso significa agir”, pontuou a coordenadora. 

Representando a Seirdh, a diretora de Igualdade Racial, Joelma Belém, destacou a importância das experiências territoriais. “Não há reparação sem letramento racial. Nós, que vivemos nos territórios, sabemos o que enfrentamos”, afirmou, apontando ainda fragilidades institucionais no atendimento a vítimas de racismo e na proteção a lideranças ameaçadas. 

Pela reitoria da UFPA, a professora Flávia Lemos ressaltou que o combate ao racismo exige transformações profundas. “Quando falamos de reparação, precisamos ser radicais. As universidades ainda reproduzem desigualdades”, declarou, reforçando o compromisso da instituição com políticas afirmativas. 

Autor da proposta, o deputado Carlos Bordalo classificou o racismo como uma “ferida civilizatória” que exige ações concretas. Ele anunciou que o lançamento é apenas o ponto de partida: “A formação seguirá até novembro, ampliando esse debate”.

Curso “Raízes da Igualdade”
À tarde, a programação seguiu com o curso “Raízes da Igualdade: Formação em Letramento Racial”, ministrado pela professora Jaqueline Freire (UFPA). O ciclo de formação acadêmica e política contou também com a exposição da professora Flávia Lemos. Segundo Bordalo, novos cursos serão realizados até novembro para expandir o alcance do projeto.

As cartilhas propõem uma leitura crítica da crise climática sob os recortes de raça, gênero e território. A mensagem final do evento foi clara: enfrentar a crise climática é indissociável do enfrentamento ao racismo.