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Alepa terá programação especial no Outubro Rosa

09/10/2019 15h13 - Atualizada em 09/10/2019 15h53
Por Dina Santos - AID - Comunicação Social

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A Procuradoria da Mulher, junto com a Bancada Feminina, definiu nesta quarta-feira (09/10) a programação do Parlamento alusiva ao Outubro Rosa – mês dedicado à prevenção ao câncer de mama. Será realizada uma série de atividades para alertar a sociedade sobre a importância de ações preventivas, cuidados com a saúde, bem como a importância dos exames regulares com médicos especializados para o diagnóstico do câncer de mama.

Segundo a deputada Profª Nilse, "A Procuradoria Especial da Mulher assume seu papel enquanto instituição da Alepa, contribuindo para a campanha Outubro Rosa, com ações efetivas que venham a atender o público da Região Metropolitana e expandindo para outras regiões".

"No dia 15 teremos outra reunião para tratar da organização das atividades. São muitas ações envolvendo todas as deputadas da Alepa, com o apoio do Centro de Apoio ao Cidadão (CAC), do Departamento de Bem Estar Social (DBES) e da presidência da Casa", adiantou a deputada.

A deputada Ana Cunha lembrou que "o Pará é hoje o estado com piores índices relacionados aos tumores femininos, com incidência alta em câncer de mama e de colo de útero", lamentou a parlamentar. "Por isso, o Poder Legislativo, em especial as deputadas que integram a Bancada Feminina, deve ampliar suas ações para além da Região Metropolitana de Belém, e alcançar também os municípios do interior, para garantir mais acesso aos serviços de saúde", avaliou.

"A procuradoria, sendo da Alepa precisa ter capilaridade em vários municípios, de forma regionalizada, para atender os 144 municípios. Nossa proposta é que nossa campanha não se restrinja ao outubro rosa, a apenas este mês, mas ao longo do ano, com mais ações como essa, de prevenção ao câncer de mama. Para isso, já estamos buscando parceiros", garantiu a Prof. Nilse.

Participaram da reunião as deputadas Ana Cunha, Profª Nilse, Diana Belo, Heloísa Guimarães, Michele Begot e Paula Gomes.

Programação- Entre as atividades previstas para o Outubro Rosa, foi definida a realização de uma caminhada no próximo dia 27, com saída da Escadinha do Cais do Porto e chegada na praça Batista Campos, onde as participantes teriam atendimento em vários serviços, como o acesso a consultas e exames, além da coleta de doações de lenços para serem entregues às mulheres vítimas de câncer de mama e que enfrentam as sequelas do tratamento, como a perda de cabelos por causa da quimioterapia.

No dia 31, será realizada uma Sessão Especial para discutir as demandas do Pará em relação à prevenção ao câncer de mama e como está a cobertura para rastreamento e diagnóstico da doença, por meio de mamografias. "Podemos ver quais regiões no Estado precisam de mamógrafos, para que possamos apresentar projetos e emendas ao orçamento e garantir o acesso das mulheres ao principal exame preventivo contra o câncer de mama", explicou Ana Cunha.

A Sessão Especial também seria a oportunidade de homenagear quem se destaca no trabalho de prevenção e tratamento da doença, com a entrega de diplomas de reconhecimento, seguida da inauguração de uma iluminação especial da fachada da Alepa, em cor de rosa, marcando a adesão do Poder Legislativo à campanha mundial do Outubro Rosa. O Palácio Cabanagem também seria aberto para uma exposição, com fotos de mulheres em tratamento contra o câncer de mama.

Estatística- O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, no mundo todo, depois do câncer de pele não melanoma. Representa cerca de 25% de todos os casos novos de câncer. São 1,38 milhões de novos casos e 458 mil mortes pela doença por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) mostram que em 2019, 59.700 mulheres devem desenvolver câncer de mama no Brasil. A Região Norte deve registrar 1730 casos novos até o final de 2019, sendo 740 novos casos no Pará e 360 em Belém.

Como em quase todo o mundo, a incidência brasileira do câncer de mama vem aumentando ano a ano a uma taxa de cerca de 2% anuais. As causas dessa tendência de aumento são multifatoriais. Cada fator influencia o risco parcialmente, o que contribui para um aumento agregado no número de novos casos. Atualmente, o câncer de mama é o terceiro tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil.

Dificuldade- A mamografia no Brasil tem o pior cenário dos últimos seis anos. Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, acabam de concluir um estudo que revela que o percentual de cobertura mamográfica de 2018 nas mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é o menor dos últimos seis anos, com uma cobertura bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em 2017, a cobertura foi de 24%. Mas no ano passado foi ainda menor, de apenas 22%. A principal causa é a má distribuição de equipamentos para mamografia no Brasil

O diagnóstico tardio, ainda predominante no Brasil, aumenta muito a gravidade da doença e os índices de mortalidade. O acesso à informação e a prevenção são as principais armas contra a doença. O câncer de mama é uma doença grave, mas quando é diagnosticado precocemente as chances de cura chegam perto de 100%.

Prevenção- A adoção de hábitos saudáveis, como uma boa alimentação e exercícios físicos regulares, representa o que os especialistas chamam de prevenção primária, que pode evitar alguns tipos de câncer.

No caso do câncer de mama, é extremamente importante também a chamada Prevenção Secundária, que assegura o diagnóstico precoce. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que toda mulher, a partir dos 40 anos, faça a mamografia, nas duas mamas, anualmente. A mamografia é o exame capaz de detectar o câncer de mama quando ele ainda está na fase inicial. O autoexame é essencial para a mulher conhecer o próprio corpo e reconhecer se há algo de errado, mas não substitui a mamografia. Um tumor só pode ser sentido quando já está maior, a pessoa só consegue palpar nódulos com cerca de um centímetro ou mais. Já a mamografia é capaz de identificar tumores a partir de 2 a 3mm.

A consulta com o especialista, independentemente de aparecer qualquer sinal, também deve ser anual. Nem toda alteração nas mamas é câncer. A maioria das alterações é benigna, mas é fundamental que a mulher procure o médico para esclarecer qualquer alteração na mama, por menor que seja. Além do exame clínico e da mamografia, que são os mais importantes, o autoexame também deve ser feito pelas mulheres dessa faixa etária, uma vez por mês.

O Ultrassom e a ressonância magnética das mamas são exames complementares para o rastreio do câncer, mas não substituem a mamografia.

Fatores de risco

O câncer é uma doença que resulta da interação entre fatores ambientais e genéticos do indivíduo. Entretanto, uma parcela pequena dos tumores malignos são considerados hereditários (até 10%). A maioria está relacionada à exposição a fatores ambientais.

Estilo de vida-  A principal razão está na mudança de estilo de vida que vem ocorrendo com os tempos modernos. Em apenas uma geração, grandes mudanças aconteceram nas vidas das mulheres. O número de filhos reduziu drasticamente. A taxa de fecundidade (número médio de filhos por cada mulher) no Brasil na década de 60 era de 6 filhos. Em 2015 passou para 1,72. As mulheres também tinham o primeiro filho mais jovens do que atualmente.

Gravidez e amamentação- Há uma geração, as mulheres se casavam por volta dos 20 anos, tinham de 6 a 8 filhos e às vezes até mais. Isso significa que entre 20 e 35 anos elas passaram a maior parte do tempo grávidas ou amamentando. Em decorrência disso, essas mulheres menstruavam menos do que uma mulher que se casa aos 30, tem o primeiro filho aos 36 e se limita a dois filhos, por exemplo. Cada ano que se retarda a primeira gravidez aumenta cerca de 3% no risco relativo e cada parto a mais que a mulher se submete reduz o risco relativo em 7%.

Hormônios-  A mama é um órgão rico em receptores hormonais e responde à variação hormonal do ciclo menstrual. Esse estímulo hormonal periódico continuado parece estar relacionado ao aumento do risco. Além disso, a amamentação induz a modificações celulares nas mamas (diferenciação tecidual), que confere um fator de proteção. Estima-se que cada ano de amamentação reduz relativamente 4,3% no risco do câncer de mama. O aumento na utilização da reposição hormonal combinada na pós-menopausa também está associado a esse incremento no número de casos.

Obesidade- Outro fator importante que impacta a incidência de câncer de mama se relaciona à obesidade. Há cerca de 40 anos, tínhamos 40% menos calorias na dieta do brasileiro. Hoje vivemos uma epidemia de sobrepeso e obesidade. O tecido gorduroso é fonte de produção de hormônios que estão implicados na gênese do câncer e o aumento do peso eleva a concentração de substâncias no sangue relacionadas à inflamação que induzem mutações genéticas. Quando ingerimos um alimento calórico, modificamos o metabolismo da insulina e da glicose. A glicose elevada e outras proteínas desse metabolismo glicídico também conferem um incremento no risco. Estudos comprovaram uma relação direta entre o estado pré-diabético e o câncer.

Sedentarismo- Em relação direta com os fatores de risco mencionados está também o sedentarismo. A prática regular de atividade física associada ao controle de peso e alimentação saudável pode reduzir o risco do câncer de mama de 15% a 30%.

Álcool- O consumo de álcool tem aumentado significativamente nos últimos anos entre as mulheres. Esse consumo excessivo também colabora para o aumento do risco porque o álcool induz a uma elevação dos níveis do estrógeno no sangue.

 

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